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Eunate Aguirre - País Basco - Espanha


Nome: Eunate Aguirre

Data de Nascimento: 24 de Maio de 1982

Naturalidade: Espanha, Basca

Anos de Bodyboard: 12 (1997)

Competição ou free-surf: ambas

Apoios/patrocínios: Roxy, Movistar, Genesis, Ayntamiento de Sopelana, Churchi e Creatures of leasure

Spots onde surfas: Sopelana, Mundaka

Onda favorita: “La Caja”

Manobra de eleição: Tubo

Viagens realizadas: Austrália, Panamá, Ilhas Reunião, África do Sul, Brasil, Hawaii, Japão

Viagem de sonho: Filipinas

Fonte de inspiração (bodyboarder):
Neymara Carvalho, Karla Costa e Marina Taylor


Olá, na entrevista que fizemos anteriormente, perguntei-te qual foi o momento mais marcante como bodyboarder e respondeste “o segundo lugar no Sintra Pro 2005". Passados três anos, faço de novo a mesma pergunta.
Acho que agora são todos importantes: quando ganhas, quando perdes cada um agora tem muita importância. São muitos os que se perdem e poucos os que se ganham, por isso, este ano, começar em Pipeline com um segundo lugar foi muito importante. É uma onda que tem prestígio, um campeonato que tem já muitos anos, qualquer bodyboarder tem o sonho de ter um bom resultado em Pipeline e eu consegui.

Começaste muito cedo a praticar bodyboard, durante as férias de Verão, e com 13 anos, com apoio de um patrocinio (Genesis), iniciaste-te na competição. Como é alguém tão jovem tem força e determinação para passar de freesurfer, no Verão, a cumprir um treino sério nas águas frias de Sopelana, durante todo o ano?
Foi tudo aos poucos. Comecei no Verão e tinha 13 anos quando fui patrocinada. Eles pediam que eu participasse num campeonato e eu também tinha vontade. No início, eu não tinha fato de Inverno e, então, o patrocinador deu-me um fato. Aí comecei a ir surfar nos fins de semana, nos dias tranquilos em que o mar estava bom, em que estava sol. Estava frio dentro de água mas eu gostava muito de surfar e por isso ia para dentro de água com muita vontade.

Qual tem sido o papel da tua familia ao longo do teu percurso?
O meu pai acompanhou-me no meu primeiro campeonato. Lembro que não tinha com quem ir, era o meu primeiro campeonato, a minha primeira experiência e eu não sabia como funcionava. Depois comecei a conhecer as pessoas da praia, as pessoas que iam aos campeonatos que eu via mas não conhecia e comecei a estar com eles. Mas foi o meu pai quem foi comigo ao primeiro campeonato e depois, a minha irmã também me incentivou muito. Hoje em dia, todos já acreditam naquilo que faço e todos gostam.

Há mais alguém na família que pratique bodyboard além de ti?
(risos) Hmm... não, não há ninguém que pratique. Há primos, sobrinhos que olham para mim e "uau, praticas bodyboard" e todos quem fazer e trazem a prancha... Eu adoro mas, na verdade, hoje em dia, quase que não tenho tempo para ir com eles para dentro de água. Então vi um programa para eles, lá na escola de bodyboard, lá na minha praia, para eles conhecerem o desporto. Porque este desporto tem muitas coisas boas e eu queria que eles vivessem isso.

Ao longo dos anos, o teu surf tem vindo a evoluir e isso vê-se nos resultados que tens alcançado. A que se deve esse progresso?
Acho que há muitos campos importantes. Acreditar naquilo que posso conseguir... Acho que agora estou a passar uma etapa em que acredito mesmo que eu posso conseguir, se outras podem, eu também! Estando sempre consciente que há muito trabalho a fazer.
Sempre tentei ver as possibilidades do meu trabalho para evoluir e analisei os vários campos e pensei que tinha de investir na parte técnica. Arranjei um treinador em que acredito, arranjei apoio na área psicológica e na área médica: um grupo de pessoas que está atrás de mim e acho que está um trabalho mais profissional.
É claro que os patrocinadores têm ajudado no investimento nessa parte profissional. É um conjunto de coisas cujo objectivo é melhorar o meu surf, independentemente de como correm os campeonatos.

Com estes resultados, és reconhecida publicamente? És famosa em Bilbao?
(risos) Reconhecem... Agora tem sido um pouco revolucionario para mim porque dois dos meus patrocinadores estão a fazer muita promoção, muitos projectos comigo. É um reconhecimento normal, não é pela rua, a ser parada, mas é um reconhecimento pelas pessoas da minha idade que sabem quem sou. Agora vou muitas vezes à televisão e toda a gente me vê e me reconhece. As pessoas dão-me os parabéns e dão-me força e é positivo, é bonito.

Neste momento, és lider do ranking mundial. Como te sentes e o que representa para ti ocupares essa posição?
Representa tudo para mim! Depois de tanto tempo, de começar com 13 anos e ver-me agora com 27 estar no topo, estar no primeiro lugar... Eu sei que o meu surf ainda tem de evoluir muito para chegar à forma que eu gostaria de surfar. Mas estar no primeiro lugar agora, dá mais sentido àquilo que eu procuro. Mesmo que acabe em primeiro ou segundo, ou outro lugar, estar agora em primeiro, dá-me ilusão para acreditar naquilo que quero alcançar, quero surfar bem, melhorar e trabalhar e lutar pelo meu sonho.
De resto, tenho vivido coisas boas, coisas que não gosto tanto mas, em geral, é um reconhecimento pessoal. Sempre desejei isso e agora vejo-me no topo, que há um conjunto de coisas a ser feitas, que está tudo a correr bem.

Sentes muita pressão por estares no topo?
Um pouquinho, um pouquinho... Comecei a etapa de Sopelana, que costuma ser para mim um pouco stressante e, sendo a primeira do ranking mundial, ainda foi mais. Toda a gente dá força e os meios de comunicação estavam sempre no palanque e quase que não me pude concentrar. É também algo que tenho de aprender, a lidar com a pressão. Vejo o exemplo da Neymara.. Acho que ela não só surfa bem, para se ser campeã mundial, há muitas coisas que têm de ser trabalhadas e eu penso que estou no bom caminho e é isso o mais importante agora. A pressão é mais um aspecto com que tenho de batalhar, aprender e continuar em frente.

É mais difícil surfar em casa do que noutros lugares?

Sim, sim. Surfar em casa é muito difícil. É satisfatório pois sais da água e vês que tens muita gente a animar-te e a apoiar-te mas é difícil. É difícil porque esse apoio também funciona como pressão e penso que tenho de fazer tudo bem, que não posso perder, que toda a gente está à espera de um bom resultado meu. Para mim, este ano, esta prova era mais resultado. Quando estava a sair dos heats e via toda a gente que estava a torcer por mim, sabia que tinha dado o meu melhor para eles, não tanto para mim.

Como está o Bodyboard feminino no País Basco? Há miúdas a competir ou és um nome solitário?
Sou um pouco um nome solitário. Não há muitas miúdas a praticar, há uma escola de bodyboard mas como, disse antes, o clima de Bilbao é frio no Inverno. No Verão, toda a gente fica mais animada e quer surfar e apanhar ondas mas depois chega o Inverno e é preciso ter muita pica e gostar muito para ir surfar. Nos rapazes há muita gente nova a surfar na Federação do País Basco mas na parte feminina não há e é uma pena. Isso é um projecto em que eu, no futuro, quero trabalhar. Agora não tenho tempo, estou a correr o Mundial e isso ocupa muito tempo para estar concentrada. Contudo, um dia gostaria de fazer um projecto, quem sabe juntar-me com a Catarina e fazer uma proposta para fazer um Boogie Chicks em Bilbao.

A última pergunta, qual foi a coisa mais importante que o bodyboard te ensinou?
Ensinou muitas coisas... um estilo de vida. Um estilo de vida que valoriza coisas muito positivas como a Natureza, amizada e acho que é isso. Viajar pelo mundo também dá muita maturidade, ver outras culturas... Mas acho que principalmente é isso, encontrar muitas boas amigas no caminho, muitos momentos excelentes.

Deixa uma mensagem às miúdas que vão ler a entrevista...
Deste momento que eu estou a viver, digo... bem, toda a gente diz isso mas... Nunca desistam dos vossos sonhos e, naquilo que acreditas, vai com força, porque pode não ser agora mas mais tarde irá realizar-se se realmente acreditas nisso!

Obrigada por esta entrevista e boa sorte!


boogiechicks.com

(entrevista realizada a 27/08/2009)

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