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Jéssica Becker - Brasil


Nome: Jéssica Becker Martins

Data de Nascimento: 22-09-1988

Naturalidade: Brasileira, Paraná

Anos de Bodyboard: 7,5 anos (Verão de 2002 - Verão do Brasil)

Competição ou free-surf: Competição

Apoios/patrocínios: Kung bodyboards

Spots onde surfas: Praia do Pecado/ Cavaleiros (Macaé- RJ)

Onda favorita: Itacoatiara (Niterói- RJ)

Manobra de eleição: ARS

Viagens realizadas: Europa, Canárias, América Latina, Hawaii... Eu adoro o Hawaii. Fiz longas temporadas no Hawaii. Sempre que eu puder, vou voltar.

Viagem de sonho: Indonésia e Tahiti

Fonte de inspiração (bodyboarder):
Neymara Carvalho

Momento mais marcante enquanto bodyboarder: Até hoje, acho que foi o Tour do ano passado, em 2008. Para mim, o momento mais maravilhoso foi esse Campeonato Mundial, que foi muito disputado com a Neymara, brigámos pelo título até ao último momento, da última bateria da etapa das Canárias. Eu já estava muito feliz naquela última bateria. Então, para mim, foi algo muito gratificante, esse resultado do Campeonato Mundial. Ainda mais porque eu não ia competir o circuito por falta de patrocinadores e a Neymara (Carvalho), antes das etapas na Europa, colocou na minha cabeça que eu tinha de ir, que eu tinha potencial para ter bons resultados e, no final, ela estava certa. (risos)


A brasileira Jéssica Becker é uma das mais jovens bodyboarders a correr o Circuito Mundial. Com apenas 20 anos, Jéssica é um importante nome da nova geração do bodyboard, tendo em 2008 terminado na segunda posição do ranking mundial.
No evento Sintra Portugal Pro 09, após competir o duro heat que a qualificou às meias-finais, esta simpática atleta conversou com o BoogieChicks.com e contou-nos as suas experiências e ambições no seu desporto.


Quando e como foi o teu início no bodyboard?
Comecei em 2002, no nosso Verão brasileiro, que é por volta de Janeiro, Fevereiro. Eu era novinha, tinha 13 anos e passava o Verão, as minhas férias sem fazer quase nada. Ficava enchendo o saco à minha mãe, em casa, e comecei a pedir para ela me dar uma prancha. Como eu sempre morei perto da praia, via os meninos surfando e me dava vontade. Depois de tanto encher o saco dela - “me dá uma prancha, me dá uma prancha!” - ela e o meu pai me deram uma prancha no Natal. Aí, eu comecei a surfar em Janeiro ou Fevereiro, depois do Natal, e logo comecei a competir e hoje estou aqui nesse meio.

Como foi a passagem a bodyboarder profissional?
Entrei no meu primeiro torneio profissional, quando tinha 17 anos, em 2006. Eu já tinha obtido bons resultados no Brasil: Bi-Campeã Carioca, Bi-Campeã Capixaba, três vezes Vice-Campeã Brasileira; então achei que estava na hora de ser profissional para poder crescer um pouquinho. Você acaba por ficar estagnada na categoria amadora por isso, decidi em 2006... hoje já faz quase três anos que sou profissional.

Como reagiu a tua familia ao teu interesse pelo bodyboard e à tua profissionalização?
A minha família é maravilhosa. Tenho muita sorte em ter o maior apoio de todos. Apesar de não ter patrocinadores, de não ter grandes apoios, eles sempre estão me ajudando o máximo possível, para que eu possa viajar, competir o Circuito Mundial. Hoje o meu pai é falecido, mas ele sempre me ajudou desde que eu comecei, sempre me incentivou muito e, hoje, a minha mãe continua fazendo o que ele fazia por mim e isso é maravilhoso.

Como disseste, tornaste-te profissional muito jovem e essa mudança implica viajar para fora do teu país. Como foram as primeiras viagens para competires a nível internacional?
A minha primeira viagem fora do país foi para o Equador, em seguida, vim para cá, em 2006, tinha 16 ou 17 anos... foi bem cedo. Já estou acostumada a viajar sem ninguém, a pegar um vôo pra o outro lado do mundo sozinha. No início, foi um pouquinho difícil porque dá medo, a gente estar indo para um lugar desconhecido, onde às vezes não conhece ninguém, não sabe o que pode acontecer, não conhece a cultura. No início, você tem um pouquinho de medo mas depois você consegue desenrolar a história e aí fica mais fácil.

Há alguma história que recordes relacionadas com as tuas viagens?
Uma história?... Hmm... No tour do ano passado, quando fui competir em Sopelana, as minhas bagagens extraviaram-se, pranchas, pés de pato, roupas. Eu não tinha como competir o campeonato. O campeonato já tinha começado e o meu material não chegava. Eu precisava de uma prancha e a Neymara disse para eu usar a prancha dela. Uma prancha enorme para mim: ela usava uma 40, eu usava uma 38,5. Teve de ser assim mesmo! Aí, eu comecei a passar as baterias com a prancha dela, comecei a surfar bem e acabámos por nos encontrar na semi-final. (risos)

Este ano tiveste, novamente, algumas dificuldades para vir competir à Europa. Como é viver essas incertezas e dificuldades?
É complicado... a gente fica agoniado, a gente pensa: “caramba, tem mais uma etapa, tem mais um monte de dinheiro para gastar”. Para a gente é caro pois a nossa moeda é um pouco desvalorizada em relação ao euro. Então quando se aproximam essas viagens, a gente fica de cabelo em pé. A gente, lá no Brasil, não tem muitos patrocinadores, muitos apoios, então ficamos desesperados, correndo atrás de mãe, pai, irmão, namorado a pedir ajuda. Mas quando a gente gosta, a gente faz de tudo para poder estar presente e, no final, acabamos por ser recompensados por todo o esforço feito.

Qual é o balanço que fazes das etapas do Circuito Mundial que decorreram até agora?
Para mim está a ser maravilhoso (risos). Até agora estou a conseguir bons resultados. O meu pior resultado no tour foi um 5º lugar na etapa de Santa Catarina (Brasil). Por enquanto, para mim está sendo bom, está sendo produtivo e acredito que com esta etapa de Sintra possa melhorar um pouco.

Qual é a etapa que aguardas com mais expectativa?
De entre os eventos que ficam na expectactiva, está este de Sintra. Quando a gente corre o Tour sabe que este evento de Sintra é o mais importante; é praticamente aqui que se decide todo o ranking. Esse e o próximo, o último do Grand Slam nas Canárias. Este ano são essas as duas etapas mais aguardadas.

Já não é a primeira vez que estás em Portugal. Qual é a tua opinião acerca do país, das suas ondas...
Eu acho maravilhoso, eu adoro vir para cá! Quando eu posso, eu venho.
Este ano, o mar daqui mostrou um pouquinho de força. (risos) Acho que levantei a bandeira branca lá dentro, hoje. (risos)
As ondas aqui são muito boas, apesar de serem geladas... Eu acho muito frio pois estou acostumada àquela água quentinha do Brasil, sol forte... (risos) Acho que é o único problema de Portugal é esse, esse frio. Para a gente é frio, acho que para o pessoal daqui é normal, não é?... Eu adoro, eu adoro Portugal! (risos)

Para terminar, diz-nos:
Como é para ti um mar perfeito?

Não gosto de ondas muito grandes, prefiro de uma onda mediana, entre metro, metro e meio... que fique surfavel, que tenha um canal, principalmente, para que eu não tenha que passar o que passei hoje... (risos) e água quente e sol.

Uma curiosidade sobre ti:
Hmm... (risos) Ah! Eu gosto de falar sozinha! (risos) principalmente, quando há alguma coisa importante, alguma reunião, alguma conversa e eu não sei o que falar, eu fico me preparando, conversando sozinhao fazendo um debate comigo mesma para quando chegar a hora, eu estar preparada. (risos)

Um desejo:
Um dia ser Campeã Mundial... ser bem sucedida no que eu faço, que é pegar onda.

Queres deixar alguma mensagem ou conselho a todos aqueles que acabaram de ler esta tua entrevista?
Acreditar! Sempre que querem alguma coisa, corram atrás dos sonhos. Tudo se torna realidade desde que você tem vontade, que você deseja de coração. O limite é o céu. Não desistam no primeiro obstáculo. Ás vezes, você tem obstáculos para poder conseguir coisas maiores. Eu já passei por vários e já conquistei tantas coisas e eu sei que tenho muito mais pela frente, por isso, não posso desistir agora.

Obrigada por nos teres concedido esta entrevista e boa sorte!

boogiechicks.com
(entrevista realizada a 29/08/2009)


Fotos na água: Beto Abrantes

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