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Karla Costa-Taylor - Brasil


Nome: Karla Costa-Taylor

Data de Nascimento: 10 de Outubro de 1973

Naturalidade: Brasileira, Rio de Janeiro

Anos de Bodyboard: 20 (desde 1990)

Competição ou free-surf: Competição



Após a sua vitória em Pipeline, a veterana Karla Costa-Taylor falou com o BoogieChicks.com. Nesta conversa, a atleta enquadrou o ambiente que envolveu o evento do Hawaii e partilhou a sua vivência como desportista e jovem mãe.


Olá Karla, antes de mais, parabéns pela tua vitória em Pipeline. Podes falar um pouco acerca desta etapa?
Obrigada. A etapa foi incrível! A promotora do evento Betty Depoilito sempre faz um trabalho de promoção ao surf e bodyboard Feminino na visão de atleta mesmo pois, além de ter sido surfista profissiona,l ela também trabalhou em Televisão e faz inúmeros vídeos de promoção ao desporto. Astualmente trabalha em prol do desenvolvimento e promoção da categoria feminina, sendo surf, long, kite, paddle ou bodyboard. As meninas todas do bodyboard ajudaram na promoção deste evento, Jade, Andreia, Roberta, Aoi, Cláudia e eu, na clínica de bodyboard. Cláudia (Ferrari) nos ajudou na midia e promoção do evento, Leila nos deu o ônibus dela para irmos visitar todos os patrocinadores do evento... havia um grande senso de união em prol do sucesso desse evento que todas nos amamos tanto.

Tivemos uma janela de duas semanas para um dia de campeonato. O stress de se colocar o número de inscritas dentro desse dia, a busca de patrocínios, tudo o que antecipou a etapa foi difícil.

Graças a Deus conseguimos patrocinadores mas não os suficientes para valer pontos para o Mundial. Acho que, no final, foi bom porque conseguimos colocar todas as meninas surfando em Pipeline. Se fosse Mundial, o número de inscritas seria maior e talvez não fosse possível ter todas surfando em Pipe. Foram 48 meninas, nas duas divisões, o nível competitivo foi alto e as ondas... bem nessas duas semanas de janela tivemos má sorte, muito vento e swell com direcção errada, chuva... no último dia o swell NW 2 to 4 pés chegou, o vento parou por boa parte do tempo e o sol abriu. Acho que tivemos muita sorte e a Betty não poderia ter escolhido um dia melhor na janela.

Sentiste mudanças na dinâmica da competição por a etapa de Pipeline ser um evento Regional e não Mundial?
Na dinâmica da competição não... Acho que tendo um só dia de competição e duas divisões é quase impossível que esta etapa seja Mundial. Mas estamos trabalhando duro para ano que vem e, quem sabe, pedir um dia a mais para a janela. Seria incrível ter a etapa como Mundial e acredito que isso traria muitas meninas ao Havai e o nível inevitavelmente seria mais alto.

Foste a grande vencedora do evento. Como avalias a tua prestação na prova?
Essa prova é sempre um sonho para mim. Eu amo Pipeline e Backdoor. Voltei ao Havai no ano passado, fiquei quatro anos sem competir aqui.
A intensidade desse lugar, a paixão e conexão que sinto é incrível! Passei o inverno todo treinando com minhas amigas e concorrentes Cláudia Ferrari, Leila Ali e Roberta Bitzer alem de outras. Caímos nos dias ruins, nos dias bons, grandes e pequenos... sempre puxando umas a outras. Quando vi que a previsão não estava lá essas coisas para Pipe pensei... "não importa pois Pipe contínua sendo Pipe, a rainha de todas as ondas, vou surfar como se fosse um dia clássico em algum lugar do mundo". Me senti muito bem no dia e em total sintonia com as ondas. É isso que qualquer atleta busca e, por isso, fiquei tão feliz em ter vencido, porque estava em total sintonia com esse oceano lindo.

O “bichinho” da competição nunca morre?
Não... nunca impressionante... pode estar escondido lá dentro e a vida vai passando e você vai esquecendo dele mas de repente quando você menos espera "BOOOM!"... a garra vem não sei de onde e me senti como no meu primeiro dia de competição, aquele nervoso, aquela ansiedade... aquela alegria em competir.

Como é ser uma mãe radical? Como lidam os teus filhos com esta tua paixão?
(Risos) Nunca pensei nisso. Eu sou assim mesmo, meio maluquinha, meio séria, meio engraçada, meio criança. Acho que o importante é não mudar o que você é pelas as coisas que acontecem na vida.

Ser mãe é incrível mas um dia meus filhos vão crescer e eu vou continuar sendo Karla. Não dá para colocar um só nome em uma mulher, tipo “ah, ela é mãe agora...!”. Eu acho que eu continuo sendo igual por dentro, entende? Talvez mais realizada e feliz mas igual. Por enquanto, eu acho importante guardar um pouquinho da Karla para que um dia não esqueça aonde ela foi... (risos) se é que dá para entender isso…

Os meus filhos já sabem que eu amo surfar. Inevitavelmente, o Joshua (o mais velho) quando vê que meu cabelo esta molhado ele pergunta:"Mom, did you went surfing... that's so nice!" Ele só me faz rir porque é tão puro...

Quais são os planos competitivos para 2010?
Eu vou competir as etapas do USBA e do regional aqui do Havai. O circuito Mundial ainda é uma incógnita, estou em cima do muro em voltar ou não. Meu coração quer o título mas minha mente pensa em todas as responsabilidade que tenho em casa... essa luta é constante, vamos ver...
Além disso tenho alguns projectos de fazer outro vídeo com a Betty e algumas surf trips para filmar. Vamos ver aonde tudo isso vai. Mas uma coisa é certa, não importa o que eu escolha fazer, vai ser entregando minha mente e meu coração nisso e tenho certeza que o resultado vai ser no mínimo sincero de mim.

Beijinhos e obrigado por toda a força sempre. Sucesso ao Boogie Chicks!

Obrigada por nos teres concedido esta entrevista!
boogiechicks.com
(entrevista realizada em Abril de 2010)
Fotos de Pipeline: Clare McGowan

Podes ver outra entrevista da Karla em http://www.boogiechicks.com/entrevistas/entrevista_karla_costa-taylor.html

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