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Natasha Sagardia - Porto Rico


Nome: Natasha Sagardia

Alcunha: Nati

Data de Nascimento: 18 de Junho de 1986

Naturalidade: Argentina mas moro em Porto Rico

Anos de Bodyboard: 9 (desde 1999)

Competição ou free-surf: Competição

Apoios/patrocínios: Gobierno de Puerto Rico, Tres Palmas, LMNOP, RVCA, Blackfly, N.F, Vivamas

Spots onde surfas: Hallows

Onda favorita: Hallows, Pipeline!

Manobra de eleição: ARS

Viagens realizadas: Portugal, Indonésia, Tahiti, Espanha, Samoa, França, Japão, Chile, México, Venezuela, Hawaii, Austrália, Africa do Sul...

Viagem de sonho: Indonésia com amigos

Fonte de inspiração:
Tâmega como atleta, Neymara pela perseverança

Momento mais marcante enquanto bodyboarder: Creio que o mais marcante foi, quando eu tinha 15 anos, estava no Hawaii e apanhei uma das maiores ondas da minha vida. Ganhei o prémio de "Rookie of the Year" ("Iniciada" do Ano). No ano seguinte, começou a possibilidade de me tornar atleta profissional. Dei-me conta que estava com nível para competir com os melhores do mundo e comecei o Circuito Mundial



Vinda das terras quentes das Caraíbas, Natasha Sagardia não é estreante nas provas no nosso país. Energética e positiva, a atleta de Porto Rico revelou-nos como vive o bodyboard e a maneira como encara a vida.
Fica a conhecer a simpática e determinada Nati!



Olá, como e quando foi o teu início no bodyboard?
Quando comecei tinha acabado de me mudar da Argentina para Porto Rico e o bodyboard foi a maneira de me integrar, foi o que me ligou ao novo país. Comecei a conhecer gente, a falar com os mesmos termos, a partilhar uma afinidade que era o bodyboard, a ligar-me com o país, com a sua gente, com o seu oceano. Comecei graças à minha mãe que me ofereceu a minha primeira prancha e, desde então, nunca mais parei, até agora...

Lembras-te da tua primeira onda?
Sim, creio que sim... Foi em Condado, uma região de Porto Rico. Foi incrível! Foi como uma sensação de velocidade e de adrenalina, uma mistura...

E agora quando entras num heat, numa competição, qual é a sensação em que pensas?
Quando entro num heat, geralmente, falo com Deus... Eu sei que Ele quer que todas ganhemos, que não tem uma preferida... (risos) Mas peço-Lhe a tranquilidade necessária, a concentração necessária e que me envie as ondas para eu fazer o que eu sei fazer... Trato de limpar a minha cabeça de tudo o que se passa à volta da minha vida e que esse momento seja só eu e o que eu estou a fazer.

E quando estás mesmo na onda?
É segundo a segundo! Microsegundo a microsegundo! Uma coisa em cada momento, sem pensar no que se irá passar a seguir que não o que estou a fazer naquele momento, dando o melhor de mim.

Quais as principais qualidades que um atleta precisa de reunir para se destacar no bodyboard?
Sobretudo, muita persistência, muita esperança e muita força... Porque o bodyboard não é só um desporto que se pratica e cada um se destaca por talento. É preciso muita perseverança porque o factor sorte está envolvido e há atletas que são excelentes e não têm sorte na competição. Creio que alguém que se queira destacar no bodyboard tem de ter muita perseverança, que se não vencer uma competição, que continue, continue, continue... Como diz o ditado: "Aquele que perseverar, triunfa!". Há que avançar!

O que te diferencia das outras atletas?
Isso é uma pergunta difícil porque creio que todas temos a mesma vontade de seguir um objectivo, uma meta, mas... não sei... a verdade é que todas temos algo em comum. Nem que seja que todas já deixámos alguma coisa para trás por causa do bodyboard ou sacrificámos algo pelo bodyboard. A diferença é que deixei a minha família, passei a viver sozinha, a praticar nas ondas... deixei a minha família para fazer algo que amo também.

Podes falar-nos no teu país de adopção, Porto Rico? Como são as ondas, como é vivido o bodyboard lá...
Porto Rico, para mim, é como a minha segunda casa, é o país que represento no bodyboard, no Circuito Mundial e é uma grande alegria! Primeiro porque é um país cheio de felicidade, as pessoas têm muita energia, toda a gente está feliz. É um país das Caraíbas, ou seja, o Caribe tem um "feeling" especial!
As ondas são muito boas, muito fluídas... é excelente!

Há muitas chicas a praticar bodyboard? Como é o nível competitivo?
Há umas quantas raparigas a praticar. Há muitas a praticar o desporto mas não competem. De certo modo, as miúdas que competem não gostam muito. Mas estamos a tentar divulgar o desporto com aulas para meninas (e meninos).

Voltando a Portugal, já não é a primeira vez que estás no nosso país. Qual é a tua opinião acerca de Portugal, das suas ondas...
Portugal é um destino que gosto muito. Primeiro porque foi a primeira competição internacional em que participei e recordo-me de estar nesse primeiro evento, com toda a gente que admirava, que admiro. Penso que isso nos marca para sempre.
Portugal sempre me recebeu de uma maneira muito especial. Tenho amizades de muitos anos, fico sempre na mesma casa. Tenho amigos muito bons, irmãos como Catarina Sousa, Neuza (Mochacho)... gente que adoro e que sempre que aqui venho me fazem sentir em casa.
E o campeonato é o melhor. A organização, como tratam os atletas, o respeito que têm pelos atletas... Gosto muito de competir aqui!

Tens algum local favorito?
Creio que Sintra, talvez porque tenho passado aqui a maioria do tempo. Mas quero conhecer mais, se tiver oportunidade.

Estando nesta prova de Sintra, qual é o balanço que fazes do Circuito Mundial e que expectativas trazes para esta e para as provas que se seguem?
Neste momento estou em 6º mas ainda faltam algumas etapas. Vou dar tudo, ou seja, com toda a energia, tentando concentrar-me em cada heat, pensando positivo e, sobretudo, disfrutando todos os momentos vividos.

O Boogie Chicks organizou um workshop just 4 girls aqui no Sintra e foste uma das monitoras. Como foi a experiência e qual é a tua opinião acerca do projecto BC?
É um esforço muito valoroso porque fazer algo pelo desporto, pela nova geração e pelas mulheres é muito importante. Em especial, as crianças, neste caso, as meninas que são o futuro e alguém deve encarregar-se de as orientar.
Eu faço o mesmo em Porto Rico, dou aulas tanto a rapazes como a raparigas, e é muito satisfatório ensinar algo que tu sabes fazer, passar algo aos outros. Se o tomarem como profissão é bom, se o tomarem como passatempo também é bom. Mas fazer algo positivo pelos jovens, pelas mulheres e pela gente do seu país é muito especial...

O que dirias a uma miúda para que ela experimente o bodyboard?

Poderia dizer-lhe que o bodyboard não é só um desporto, é um tipo de ligação com a Natureza e com o oceano, e cada um pode-se sentir mais próximo da Terra, jogando com as suas possibilidades. O bodyboard é isso... é estar com a Natureza, vivendo com ela, em contacto com ela e, ao mesmo tempo, disfrutando dela...

Para terminar, qual foi o melhor conselho que alguma vez te deram?
Penso que foi um da minha mãe, que me disse que cada momento é efémero. Isto significa que cada momento é único, seja um bom momento ou um mau momento... Se é um bom momento há que o disfrutar e agradecer e se é um mau momento há que o disfrutar e agradecer. Porque de um mau momento surge uma experiência e de um bom momento, um sorriso. Assim sempre se ganha na vida!

Deixa uma mensagem às miúdas que vão ler a entrevista...
Que disfrutem a vida, que agradeçam cada momento, cada onda, cada wipeout... se caírem na areia que sigam, porque o bodyboard é divertido!
Em relação à vida - eu não sou uma perita em vida - mas tendo viajado tanto, vejo que o mundo é incrível e que se deve olhar sempre para lá das fronteiras...


Muito obrigada, Natasha, pelas tuas palavras.
Boa sorte e felicidades!

boogiechicks.com
(entrevista realizada a 28 de Agosto de 2008)


Foto inferior esquerda: NO friends

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