Neuza Mochacho - Portugal

Nome: Neuza Isabel Boto Mochacho
Alcunha: Moxaxa
Data de Nascimento: 22 de Fevereiro de 1986
Naturalidade: Vila de Bispo - Algarve
Anos de Bodyboard: 11 (desde 1998, eu já praticava antes, mas era só de Verão. A partir daí é que comecei a praticar de Inverno e comecei a levar (o bodybaord) mais a sério)
Competição ou free-surf: Free-surf é mais descontraído, mas a competição dá “pica”... gosto dos dois!
Apoios/patrocínios: Onda (clothing & wetsuits) e 121 - One Two One Bodyboards
Spots onde surfas: Todos na zona de Sagres
Onda favorita: Confital
Manobra de eleição: Invertido aéreo na junção
Viagens realizadas: Canárias (Gran Canária, Fuerteventura, Tenerife e Lanzarote), Madeira e Açores, França e Espanha, Inglaterra, Marrocos, Venezuela, Porto Rico, Brasil e Hawaii.
Viagem de sonho: Tahiti
Fonte de inspiração: O meu irmão, Ivo Mochacho
Momento mais marcante enquanto bodyboarder: O meu primeiro tubo.
Recentemente, Neuza Mochacho colocou online seu blog pessoal - http://www.neuzamochacho.blogspot.com - onde apresenta fotos e textos sobre o seu percurso no mundo do bodyboard. O BoogieChicks.com entrevistou a jovem atleta algarvia que mostrou o modo bem disposto e positivo como encara a vida e falou da sua paixão pelo bodyboard.
Olá!, já praticas bodyboard há muitos anos, ainda te lembras da primeira surfada?
A minha primeira surfada foi com uma prancha de saca, daquelas de esferovite por dentro, num dia de Verão com os meus amigos e o meu irmão. Eu gostei da sensação de deslizar nas ondas e, como eu nasci e cresci perto da praia, era uma coisa normal, andar na água a brincar nas ondas.
Iniciaste-te no bodyboard por influência do teu irmão. Costumas surfar com ele? Como é a vossa relação dentro e fora do bodyboard?
Eu surfo sempre com o meu irmão e viajamos quase sempre juntos.
Aprendi a fazer bodyboard com ele. É ele que me corrige dentro de água e me dá dicas para executar manobras. Nós somos muito amigos, passamos os dias juntos, trabalhamos e surfamos juntos. Temos uma boa relação.
O bodyboard faz parte do teu dia a dia. De que modo influenciou a tua maneira de ser? Que lições dadas pela prática do desporto destacarias?
O bodyboard abriu-me os horizontes, na maneira de ver as coisas, pelo facto de conhecer outras pessoas e culturas, outros países. Depois de uma viagem traz-se sempre novas ideias e aprendizagens. O bodyboard como desporto abriu-me o gosto pelo exercício físico, por manter uma rotina desportiva euma dieta equilibrada; ajudou-me a saber compartir, a saber ouvir, a ser humilde e aceitar críticas construtivas.
É preciso reunir determinadas características/qualidades para alguém se destacar no bodyboard ou é o bodyboard que promove essas qualidades em cada atleta?
Quais são essas qualidades?
Eu penso que nós já temos essa qualidades, mas com a prática do bodyboard vamos evoluindo nalgumas delas, e as más vamos eliminando... quem não as eliminar, é mau... A humildade e força de vontade têm de persistir ou evoluir para se ser um bom bodyboarder. Não devemos ser convencidos e arrogantes, devemos respeitar os outros e a sua maneira de pensar, temos de saber ouvir e aceitar críticas para nos ajudar a evoluir como bodyboarders e pessoas. Quem está de fora, muitas vezes, vê os erros e as falhas que cometemos e não damos conta.
Temos de ser fortes e determinados, temos de ser radicais e, por vezes, corajosos!
A coragem é algo que se vai adquirindo com os anos, coragem para executar manobras em sítios críticos das ondas, surfar ondas grandes, etc.
Sentes que tens essas características? O que te distingue das outras atletas?
Penso que tenho todas mas umas mais que outras. Ainda sou muito jovem, ainda estou a evoluir, ainda me faltam muitos anos de bodyboard. As qualidades vão-se aperfeiçoando com o tempo, com a experiência.
Eu não sou mais que as outras. Nós todas temos muitas qualidades em comum, estamos todas cá para o mesmo, para apanharmos ondas, divertirmo-nos com este desporto maravilhoso, para conhecermos o mundo, para sermos felizes...
Pareces ser uma pessoa muito optimista e bem disposta. É esse o segredo do teu sucesso?
Clarooo! Sempre positiva e optimista! A boa disposição está sempre comigo, gosto de fazer os outros rir, gosto de espalhar alegria no ar! (risos)
Este ano, estás a correr o Campeonato Mundial 2009 na íntegra. Como estás a viver esta experiência?
Estou a adorar a experiência! Conhecer o Hawaii e o Brasil foi muito bom, e competir em Pipeline foi único. Era um sonho meu. Foi pena as ondas não estarem perfeitas... O meu objectivo é terminar o ano no Top 16. Com apenas duas etapas já estou Top. Espero conseguir manter até ao final do Circuito.
É uma alegria voltar a ver as meninas do Tour várias vezes por ano. Criamos grandes amizades e quando nos voltamos a encontrar, contamos as nossas aventuras, trocamos ideias e experiências.
Qual é a tua estratégia para alcançar o Top 16 Mundial a que te propões?
A estratégia é levar as coisas na desportiva, divertir-me nos campeonatos, tentar corrigir as falhas para não voltar a cometê-las no campeonato seguinte, treinar o mais que puder, ficar sempre feliz com bons ou maus resultados e ter sempre o espírito de querer ser melhor e de fazer melhor.
És definitivamente muito positiva! (risos)
Rumando agora às ondas nacionais. Há alguma praia que consideres a tua? Como são as ondas da tua praia?
O Zavial é a minha praia! Nasci e cresci lá, os melhores momentos da minha vida foram passados nessa praia, as melhores surfadas da minha vida foram nas suas ondas.
Para mim, as suas ondas são as melhores de Portugal. Isto porque eu estou lá sempre que está bom, quando saio para outras praias em Portugal é para competir e nas competições está sempre mau.
Como está o nível do bodyboard algarvio? Como tem vindo a evoluir o número de miúdas a praticar?
O nível do bodyboard algarvio está bom, não em termos de quantidade mas em qualidade. Não são muitas mas as que há estão a evoluir bastante, estão num bom caminho. Destaco a Joana Schenker, Lara Schenker, Janaina Sousa e Teresa Duarte, estas são as meninas que estão a surfar bem nas águas algarvias.
O que é preciso fazer para que haja mais miúdas a praticar bodyboard e a competir?
O primeiro passo é fazer com que elas experimentem, porque depois de experimentarem já não querem outra coisa! (risos)
Penso que é muito importante acompanhar as meninas que estão a iniciar, convidar para surfar, dar algumas dicas para a surfada não correr mal, explicar como as ondas quebram, onde não se deve ir, o que não se deve fazer, para que não existam acidentes nas primeiras surfadas. Ás vezes, há miúdas que apanham um susto e já não voltam a surfar.
No fundo é preciso que elas de divirtam e gostem de fazer bodyboard. Para fazer bodyboard temos de gostar não há incentivo que funcione quando não há gosto pela coisa! (risos)
Em relação à competição, penso que vai no espírito de cada um. Há pessoas a que a competição não lhes diz nada e preferem surfar tranquilos sem pressão. Mas, na minha opinião, para evoluirmos no desporto temos de competir, para ganhar " pica", para querer ser melhor e querer saber fazer mais e melhor.
Quais são os teus objectivos/planos futuros no bodyboard e na vida?
O meu objectivo é fazer bodyboard até não dar mais, até deixar de ter prazer a praticar. O meu plano é continuar a competir e, se possível, um dia vir a ser Campeã Europeia ou Mundial. Era o meu sonho. É preciso querer muito e trabalhar para isso. Espero um dia atingir esse sonho… Se não conseguir não vou ficar triste porque, entretanto, já conheci o mundo, já viajei muito e já fui muito feliz em vários momentos.
Resumindo, os meus objectivos são continuar competir e a viajar muito pelo mundo fora! (risos)
Obrigada por esta entrevista e pela tua visão optimista da vida!
Eu gosto de transmitir sempre pensamentos positivos!
Eu costumo dizer, deve-se sempre transmitir aos outros o que há de bom em nós: muitas vezes estamos a ajudar alguém sem saber que a outra pessoas precisa.
Muito obrigada, mais uma vez, e boas ondas!
boogiechicks.com
(entrevista realizada a 30 de Maio de 2009)
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